quinta-feira, abril 05, 2007








Aquele frescor que acumula dentro do pescoço e abanda às pontas dos dedos. Naquele amarelo molhado, que fica no céu quando já não há azul que firme. O mar salivava Christine como um grande copo de suco .




A cidade transfigurou ,


abandonando-os.

quinta-feira, março 01, 2007

Disseram-me que há a urgência em sermos mais nus e menos despidos.
Disseram-me também que eu sou demais aquilo que não devo ser quando escrevo..parei pra pensar no que perpetuo...Milan Kundera definha a 3 semanas em minha estante porque me faz mal. Hei de ter mais Leveza...Devo ser menos rude com os fracos de entranhas..
Assim, pausa para balanço.

domingo, janeiro 21, 2007

"Aquelas infinitudes do instante explícitas no horizontal da terra deixam as coisas tão inconstantes; aflitas, sem ter onde palpar. Aquele sentimento feliz, de querer se entregar a qualquer divindade. Mais uma vez, sem ter certezas, e grata com isso. Christine não é do tipo Carpe Dien de menina, sustenta-se na felicidade prolongada; calcula a vida, mas resplandece no sabor das pequenisses encafeinada do cotidiano. Não ousa, em ações grandiosas, construtivas ou desconcertantes, apenas faz osmose de bonitas molduras. Absorve a respiração de terceiros, compondo-se assim. "

domingo, janeiro 14, 2007


-Tchau, Boa noite. Saiu da sala de aula. O piso frio de Pinhol em embaixo de seu tênis e de seus casacos. Branco com cheiro de formol. Coca-cola com açúcar e o cérebro vazio de tanto querer pensar.-Chega! O Ônibus espera a bunda gorda da senhora levantar-se, alavancar-se; suspender-se. Suspenso. A Cabeça,minha cabeça vagueia em algum lugar. Meus pulsos doem. Ele me machucou ontem na lavanderia. Eu nunca faria aquilo. Mas eu lhe quero tão bem...acho isso doença. Estou doente. Minha vagina doe de seus dedos e de sua curiosidade. Ele está inseguro. Não agüento mais ser revistada devorada , de dentro pra fora, de dentro pra fora.
A casa está em desordem. Guardada pelas janelas fechadas numa tarde inteira. O cheiro do tempo tostado no sol de Recife. Aquecido, cozido. Ela abriu as janelas e deu até pra sentir o calor evacuar enquanto a brisa fina entrava. Felipe vê tevê no quarto.-Amor, como foi de trabalho? Ela o olha de beira e responde feliz pelo seu descanso. Nada aconteceu. Nem mais se sentiu inchada por entre ela.

terça-feira, janeiro 02, 2007

Hoje fui à casa de tia Teté. Cheguei lá as cinco e lá estava ela, gritando com os moleques. Pobres.Um condomínio de quatro prédios, velhos e sempre reformados. Cheirinho de lavando, tudo parecendo intacto.Pedra sobre pedra, lima sobre lima, tinta sobre tinta; Lizinha. Tia Teté abriu a porta, de chinelos; os mesmo, calça moletom preta e uma blusa de algodão azul, com florzinhas brancas..fina, velha, De ficar em casa. Oi menina, ela me disse. Tia Teté arrasta os pés, é magra, magrinha, pequenininha, meio corcunda, mais só depois de agora. Agora ela está velha. Ela fez uma tatuagem nas sobrancelhas falhadas; tem as sobrancelhas negras, Agora. Tomamos café em copos descartáveis e pães descartáveis. Tia Teté mora sozinha, a casa é um brinco. A mesa da copa, que fica dentro da sala, que fica dentro dos quartos, e assim na sacada; é coberta de três toalhas de plástico. Tia Teté toma seu chá; fazendo barulho, soprando as dentaduras. Seu copo de requeijão, transbordando chá de erva cidreira, fica dentro de um pote velho de margarina, que fica sobre a terceira toalha de plástico, que fica sobre a segunda, e esta sobre a primeira. Teté esbugalha os olho enquanto fala, treme as sobrancelhas. Encena, irrita, se irrita. Fala bem e mal dos outros, e termina a conversa na janela: Cala boca filha da Puta! Vai fazer zona na casa de sua mãe, filho de uma puta!Morde a língua entre os dentes postiços. Contorce a língua. Espreme. Eu ligo a tevê. Vinte minutos de novela, a tevê pode esquentar, diz ela. O aparelho de tevê deve ter nascido a uns vinte e muitos anos, assim como o espremedor de laranjas e o jogo de panelas, todos guardados devidamente dentro de suas respectivas caixas e sacolas, dentro do armário menor do quarto de Marquinho. Marquinho morreu com trinta e dois anos, junto à mulher e o menino. O menino tinha dezesseis semanas de gestação, Claudia tinha trinta anos. Ai Tia, se eu pudesse trocar de lugar com você. Você terminaria com a minha vida rápido, sem dó, junto e em prol dessas manias e doenças, desse jeito espiritual de ser sovina. Eu, de você, terminaria na Sua. Sozinha, limpa, e sem esses meus dentes.

sábado, dezembro 23, 2006

Ele sabe que as passaradas revoam indiferentes a ele. Ele só não sabe ser indiferente ao mundo, crendo ser de mesma importância que a passarada humilde e pouco relutante aos elogios.Decidiu virar uma ema, grande, espaçosa e faminta.-Um leão de penas, dizia ele. Mal sabia que esta é estagnada ao chão.Pobre, morrerá degolado feito pato.

sábado, dezembro 16, 2006


O decreto Suprerestrutural foi de retorcer-nos em mais-valias sentimentais.
Ja fui mais feliz quando não havia exército intra-uterino."

terça-feira, novembro 28, 2006


“Quando nos vi, estávamos nos descamando um a um, camada por camada. Tentávamos tornar aquilo a coisa mais surpreendente que existira, mas o fato é que o sexo nunca fora outra coisa. Esfregando as palmas sobre o corpo findo, até que nada se torne mais novidade. Beijando à boca e trazendo à superfície o que escondemos dentro da gente. Deitar e faze-lo da única maneira que pode ser feito, mesmo com toda parafernália socada nas gavetas. Faze-lo do único modo, ele dentro de mim, de pé ou de ponta cabeça, que seja, ele dentro de mim, as mãos, os braços, narizes e ouvidos, sempre, dentro de mim.
Feito cebolas nuas, e cada qual querendo o seu umbigo mais cheio, subindo alto e enfim descendo daqueles pedestais."
(Thaís Arnaut)

sábado, novembro 25, 2006

She Makes Me Wanna Die

é.
ela.

domingo, novembro 19, 2006


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Era outro dia.

segunda-feira, novembro 06, 2006


"Jaz que nos debatemos ao som das orquestras e seus trompetes ridículos, tentando por em métricas aquilo que nos toma.

Nós, Homens, afogados em nosso orgulho cortejante, todos iscas de nós mesmos, patéticos, nos agarrado às miúdisses mundanas.

Não há como encaixotar, na clausura de nossos neurônios, o que é além de nossos dedos.

Levá-los, de fato, ao que corre em veias, torna-se suicídio.

Valei-nos conviver com tal agonia, onde entra em jogo nossa própria existência e as posturas enquanto Ser que pensa e extrapola.

Somar tensões é viver os fatos, mas transpô-las em emoções cortantes é usufruir autofagias, pouco carnais. Lamber o sumo que nos resta.

Acabo, assim, rarefeita, mais uma vez, sendo levada pela maré morta de mais uma tarde Azul.

Obs: O “morta”, de maré, não faz formar nada adverso às respirações ofegantes de meu sentir pateticamente amável. Quero que saiba, que a maré, enquanto morta, é morna e plácida, feito colo afável de quem se quer bem."

sábado, outubro 28, 2006


"Aquele mundo pequeno e seu.
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Tudo a correspondendo. Joga-se na cama, afunda sua cabeça funda no travesseiro macio cheirando a gosto de quem dorme muito. Tentou desligar quem a corresponde. Tapou os ouvidos com a intenção de calar-se."

quinta-feira, outubro 26, 2006

"Sentou-se em uma cadeira de tiras de madeira, que dividia seu glúteo em várias partes e, desconfortável, tentava endireitava-se enquanto forma, ser e Christine. Penetrava em seus cabelos longos , de forma que se compunham, alterando seu formato facial e aquilo que significara.Cravava as unhas na máscara que lhe cobria a face e arrancava os resquícios da noite que sobrava sobre a pele."

sexta-feira, outubro 20, 2006


"O que me domina; meu Deus, que me entrelaço pelos dedos, contendo o descontento; engolindo a agonia. O que é que esmorece meu melindro? O que é que me mata, Toda, nessa plenitude marasmenta???"

terça-feira, outubro 17, 2006

:: enquanto vocês dormem ::

acho que a constância de cutuvelar-me seria isso. Grata sou por SEUS CUTUVELOS, Sei lá, Sei SIM.

segunda-feira, outubro 16, 2006

Caros, perdi dentro de meus cotovelos a escora deprimente de que me utilizava para criar. Se me demorar, perdão, é que eu, enquanto mulher completa , agora, demorarei a sofrer Christine.

segunda-feira, outubro 02, 2006


"Era um homem de inebriações. Cabia dentro do bolso, era deglutível, viciante. Fazia gosto em cativar afetos; envolvente ao passo de amar em brumas de pleno carnaval.

Leonardo é do tipo de pessoa agradabilíssima, que nos soma à sua vida em pureza, perversa, para mim. Mergulha, afundando-se, feito pedra aos pés, em qualquer realidade que seja espuma; densa e aerosa. Sabia o que fazer, como agir, o que dizer. Um galã submerso na figura desleixada, um poeta funcionário público, de surpreendências alfinetantes ao ego. Preocupava-se, escondido, carregando-me no colo sem me dar conta. Se deliciando em sua pose oculta, anonimamente cotonete. Feito antibiótico; que se sabe e não se vê.

Em toda sua rareficiedade, era adotado por todos e facilitava o amar-te. Era um filho bem quisto e eu acabei me apaixonando por ele.

A primeira vez que troquei alguns milhões de verbos com Leo, pois é impossível restringir-se em meros contatos superficiais com ele, era uma noite minguante e veloz.

Aqueles olhos claros, explodindo nas coincidências, glamoriando certas canções, fazendo uso-fruto de qualquer álcool, e sorrindo. Derramando dentes e perfume, em conversa infindável."
(O Devir de Christine)

terça-feira, setembro 26, 2006


"Se acaso eu for feliz dessa ansiedade possível,
Eu desfalecerei sob medidas assimétricas de todo o contentamento translúcido.
Preste atenção meu amor,será tudo culpa NOSSA."

domingo, setembro 24, 2006



"Aquela sensação salgada na boca do estômago, que espinhisa a alma em montanha russa. Iniciava e reiniciava cada pensamento, para que eles não progredissem, para que eles não germinassem, convencendo-se de que corria perigo. O perigo de valer-se em mais de uma alma; o perigo de depender-lhe como tubo de oxigênio. Afogada, mais uma vez, em vapores e confetes."

segunda-feira, setembro 18, 2006



"Sabe quando se fixa frente ao espelho, com os olhos bem arregalados naquilo que lhe é posto em frente? Com as pupilas contra-postas, de figura e figura; estática, imóvel, aos olhos latejados, de olhar no um ao outro? Aquela outra face que lhe pinta, mas não é; tem outro estômago.
Um Mamulengo tronxo, a espreita de suas comoções artesanais, catando miúdos de você. Que, ali, a qualquer momento, pode lhe apontar um dedo Duro à cara e zombar-lhe todo recheio que o pertence.
Sentiu-se estranha à personagem que conduzia. Sentiu-se côncava e vazia feito um saco de supermercado após as compras. Não enxergava aquela face alheia que carregava durante anos, que suportava e nunca entendera seus propósitos. Não fazia idéia de como parara, feito um aborto contrário; um aborto maduro, no regresso reverso de si.
Ficou nua e bambeou marinecências salubres, dissolvendo a carcaça da boneca paraguaia. "