sábado, junho 16, 2007


Hoje, agora anoite, lembrei que meu tio guardava as gaiolas dos curiós todas as atardezinhas. Os pregos ficam na cozinha, perto da pia, do microondas, ali em cima na parede. A gente dormia, o curió parava de cantar. O Curió, digo O, porquê apenas esse era o campeão; o curió ouvia a gravação do outro, cantando, e ele cantava melhor, e ele cantava sempre melhor. Meu tio ficava ali, sempre, esperando o céu descer e dar a hora de. Eu faiscava, em segredo, olhando de beira, meu amor de pai. Era essa hora, mas não em mim e não aqui, na casa dela. Ela não sabe nunca o que se passa no vagaroso surpreender-se de sua casa. A mesmice entediada sempre fazia-lhe questão de tirar-lhe a vontade de comer. O pai sempre no mesmo lugar que lhe convinha, depois de trabalho, com a mesma roupa de dormir, na mesma forma adorna, redonda, singular Ela desligava a cabeça, era engraçado, convinha à ela apagar os pensamentos, de uma forma que nem Mahatma Gandhi entenderia...O pai não chegava a ser a caricatura animal das tardes de domingo, feito qualquer americano imbecil. Ele se fazia de crítico, decorava algumas palavras, apertava o ultimo botão da sua camisa azul e dizia sempre: A culpa é da falta de dinâmica. É onulante quê! Odeodete repetia o final das frases de seu marido sempre. Achava Christine a menina mais inteligente, e todos, que viessem com palavras surpreendentemente seguras e tenazes poderiam ser sábios dignos de resplandecência.