
“Quando nos vi, estávamos nos descamando um a um, camada por camada. Tentávamos tornar aquilo a coisa mais surpreendente que existira, mas o fato é que o sexo nunca fora outra coisa. Esfregando as palmas sobre o corpo findo, até que nada se torne mais novidade. Beijando à boca e trazendo à superfície o que escondemos dentro da gente. Deitar e faze-lo da única maneira que pode ser feito, mesmo com toda parafernália socada nas gavetas. Faze-lo do único modo, ele dentro de mim, de pé ou de ponta cabeça, que seja, ele dentro de mim, as mãos, os braços, narizes e ouvidos, sempre, dentro de mim.
Feito cebolas nuas, e cada qual querendo o seu umbigo mais cheio, subindo alto e enfim descendo daqueles pedestais."
(Thaís Arnaut)













