terça-feira, novembro 28, 2006


“Quando nos vi, estávamos nos descamando um a um, camada por camada. Tentávamos tornar aquilo a coisa mais surpreendente que existira, mas o fato é que o sexo nunca fora outra coisa. Esfregando as palmas sobre o corpo findo, até que nada se torne mais novidade. Beijando à boca e trazendo à superfície o que escondemos dentro da gente. Deitar e faze-lo da única maneira que pode ser feito, mesmo com toda parafernália socada nas gavetas. Faze-lo do único modo, ele dentro de mim, de pé ou de ponta cabeça, que seja, ele dentro de mim, as mãos, os braços, narizes e ouvidos, sempre, dentro de mim.
Feito cebolas nuas, e cada qual querendo o seu umbigo mais cheio, subindo alto e enfim descendo daqueles pedestais."
(Thaís Arnaut)

sábado, novembro 25, 2006

She Makes Me Wanna Die

é.
ela.

domingo, novembro 19, 2006


.
Era outro dia.

segunda-feira, novembro 06, 2006


"Jaz que nos debatemos ao som das orquestras e seus trompetes ridículos, tentando por em métricas aquilo que nos toma.

Nós, Homens, afogados em nosso orgulho cortejante, todos iscas de nós mesmos, patéticos, nos agarrado às miúdisses mundanas.

Não há como encaixotar, na clausura de nossos neurônios, o que é além de nossos dedos.

Levá-los, de fato, ao que corre em veias, torna-se suicídio.

Valei-nos conviver com tal agonia, onde entra em jogo nossa própria existência e as posturas enquanto Ser que pensa e extrapola.

Somar tensões é viver os fatos, mas transpô-las em emoções cortantes é usufruir autofagias, pouco carnais. Lamber o sumo que nos resta.

Acabo, assim, rarefeita, mais uma vez, sendo levada pela maré morta de mais uma tarde Azul.

Obs: O “morta”, de maré, não faz formar nada adverso às respirações ofegantes de meu sentir pateticamente amável. Quero que saiba, que a maré, enquanto morta, é morna e plácida, feito colo afável de quem se quer bem."

sábado, outubro 28, 2006


"Aquele mundo pequeno e seu.
.
.
.
.
.
.
.

Tudo a correspondendo. Joga-se na cama, afunda sua cabeça funda no travesseiro macio cheirando a gosto de quem dorme muito. Tentou desligar quem a corresponde. Tapou os ouvidos com a intenção de calar-se."

quinta-feira, outubro 26, 2006

"Sentou-se em uma cadeira de tiras de madeira, que dividia seu glúteo em várias partes e, desconfortável, tentava endireitava-se enquanto forma, ser e Christine. Penetrava em seus cabelos longos , de forma que se compunham, alterando seu formato facial e aquilo que significara.Cravava as unhas na máscara que lhe cobria a face e arrancava os resquícios da noite que sobrava sobre a pele."

sexta-feira, outubro 20, 2006


"O que me domina; meu Deus, que me entrelaço pelos dedos, contendo o descontento; engolindo a agonia. O que é que esmorece meu melindro? O que é que me mata, Toda, nessa plenitude marasmenta???"

terça-feira, outubro 17, 2006

:: enquanto vocês dormem ::

acho que a constância de cutuvelar-me seria isso. Grata sou por SEUS CUTUVELOS, Sei lá, Sei SIM.

segunda-feira, outubro 16, 2006

Caros, perdi dentro de meus cotovelos a escora deprimente de que me utilizava para criar. Se me demorar, perdão, é que eu, enquanto mulher completa , agora, demorarei a sofrer Christine.

segunda-feira, outubro 02, 2006


"Era um homem de inebriações. Cabia dentro do bolso, era deglutível, viciante. Fazia gosto em cativar afetos; envolvente ao passo de amar em brumas de pleno carnaval.

Leonardo é do tipo de pessoa agradabilíssima, que nos soma à sua vida em pureza, perversa, para mim. Mergulha, afundando-se, feito pedra aos pés, em qualquer realidade que seja espuma; densa e aerosa. Sabia o que fazer, como agir, o que dizer. Um galã submerso na figura desleixada, um poeta funcionário público, de surpreendências alfinetantes ao ego. Preocupava-se, escondido, carregando-me no colo sem me dar conta. Se deliciando em sua pose oculta, anonimamente cotonete. Feito antibiótico; que se sabe e não se vê.

Em toda sua rareficiedade, era adotado por todos e facilitava o amar-te. Era um filho bem quisto e eu acabei me apaixonando por ele.

A primeira vez que troquei alguns milhões de verbos com Leo, pois é impossível restringir-se em meros contatos superficiais com ele, era uma noite minguante e veloz.

Aqueles olhos claros, explodindo nas coincidências, glamoriando certas canções, fazendo uso-fruto de qualquer álcool, e sorrindo. Derramando dentes e perfume, em conversa infindável."
(O Devir de Christine)

terça-feira, setembro 26, 2006


"Se acaso eu for feliz dessa ansiedade possível,
Eu desfalecerei sob medidas assimétricas de todo o contentamento translúcido.
Preste atenção meu amor,será tudo culpa NOSSA."

domingo, setembro 24, 2006



"Aquela sensação salgada na boca do estômago, que espinhisa a alma em montanha russa. Iniciava e reiniciava cada pensamento, para que eles não progredissem, para que eles não germinassem, convencendo-se de que corria perigo. O perigo de valer-se em mais de uma alma; o perigo de depender-lhe como tubo de oxigênio. Afogada, mais uma vez, em vapores e confetes."

segunda-feira, setembro 18, 2006



"Sabe quando se fixa frente ao espelho, com os olhos bem arregalados naquilo que lhe é posto em frente? Com as pupilas contra-postas, de figura e figura; estática, imóvel, aos olhos latejados, de olhar no um ao outro? Aquela outra face que lhe pinta, mas não é; tem outro estômago.
Um Mamulengo tronxo, a espreita de suas comoções artesanais, catando miúdos de você. Que, ali, a qualquer momento, pode lhe apontar um dedo Duro à cara e zombar-lhe todo recheio que o pertence.
Sentiu-se estranha à personagem que conduzia. Sentiu-se côncava e vazia feito um saco de supermercado após as compras. Não enxergava aquela face alheia que carregava durante anos, que suportava e nunca entendera seus propósitos. Não fazia idéia de como parara, feito um aborto contrário; um aborto maduro, no regresso reverso de si.
Ficou nua e bambeou marinecências salubres, dissolvendo a carcaça da boneca paraguaia. "

sexta-feira, setembro 15, 2006



"Podia se casar com aquele homem, agora. Existindo, ainda sim, a possibilidade de esvair-se, no futuro, com um marido bêbado, egoísta e enfim, ela, com as tetas caídas, pobre de si. Acreditava na possibilidade de valer-se em algo, partindo uma torta de todo o momento com Davi. Pensava no agora. Definitivamente não se encontrava em estado normal; normal daquilo que costumava ser."

quarta-feira, setembro 13, 2006

She spent most of her time alone.

...ela é mais ou menos isso.

sexta-feira, setembro 08, 2006



"Já era Azul e seu corpo pesava. Seus beijos já eram todos desmaiados.

-Quando dormimos você me abraça?

- Claro. E sorriu escapado pelos dentes. Sorriu pensando em sua lubricidade, e naquela menina de odores robustos e latentes. Naquele colo largo, que tanto desejava afundar seus motivos.De como iria espremê-la entre os braços, pela noite, e explodir feito balão; vazando pelas beiras, escorregando vontades. Ah, pelo sexo não findo. Ah, pelo abraço,...Sim, pelo abraço".
O Devir de Christine

quarta-feira, setembro 06, 2006



"Ele era magro, largo, justo, aparentando se rasgar. Feito cigarra que não troca de casca, feito cobra que se apega à pele; que vai somando, formando um gigantesco chocalho embutido em seu corpo. Tinha os olhos cor de doce de leite e as mãos,espalmadas, de quem suporta grandes coisas com as pontas dos dedos. Era delicado e rude ao mesmo tempo. Era sem jeito e sem esse jeito era por acaso o que era. Era assim: bonito, novo ,trazendo afago feito gente velha. "

Thaís Arnaut

quinta-feira, agosto 31, 2006



"E todos trafegam constantes, no asfalto sonâmbulo desta cidade dormente. Voltar ao lar não quisto, por sentimentos errôneos; tarefa árdua. Balbuciar frases prontas e tornar viril a mentira feita de massinha de modelar. Espiar as íris andantes, cheias de sujeitos e vidas, cada qual com seu copo de arnica, e a coragem perversa ao esperar que o próximo sol nasça. Banalizar cada segundo pródigo. Despir as notas dos sonetos notórios, corrompendo beleza em tudo que há de vazio."
Christine
-O Devir dela-
(Thaís Arnaut)

segunda-feira, agosto 28, 2006

..."Caminho por ser e sou por não ser, componho-me no que sou enquanto me torno.A realidade que construo transfigura-se a cada crepúsculo.Somando vidas altruístas faço meu íntimo.No percurso, concilio-me com outros Querentes do ser.Os vivo. Os absorvo.
Até que minha freqüência se torna distinta, e mais uma vez,Eu, que sou por não ser, busco aquilo que é."
(Christine)

sábado, agosto 26, 2006



"O Fundo não é só o Pensar, que escancara a cara daquela menina.
O fundo também são seus dedos, que enfia no pote de tinta a vontade amarela de colorir os cabelos, por aí. A vontade translúcida de carregar o bloco no colo, de mamar confete e serpentina. De engolir aquela(s) chuva(s), de outros tantos;de tantos Fundos, que lhe disseram Fundos, que lhe fizeram funda, que lhe deixaram assim.
Malgrado a fenda, o que a suspende não é o vácuo que esta põe aí no oxigênio dela, são estes livros coloridos sobre a estante e o criado mudo."

(O Devir dela)
"Thaís Arnaut"