terça-feira, setembro 26, 2006


"Se acaso eu for feliz dessa ansiedade possível,
Eu desfalecerei sob medidas assimétricas de todo o contentamento translúcido.
Preste atenção meu amor,será tudo culpa NOSSA."

domingo, setembro 24, 2006



"Aquela sensação salgada na boca do estômago, que espinhisa a alma em montanha russa. Iniciava e reiniciava cada pensamento, para que eles não progredissem, para que eles não germinassem, convencendo-se de que corria perigo. O perigo de valer-se em mais de uma alma; o perigo de depender-lhe como tubo de oxigênio. Afogada, mais uma vez, em vapores e confetes."

segunda-feira, setembro 18, 2006



"Sabe quando se fixa frente ao espelho, com os olhos bem arregalados naquilo que lhe é posto em frente? Com as pupilas contra-postas, de figura e figura; estática, imóvel, aos olhos latejados, de olhar no um ao outro? Aquela outra face que lhe pinta, mas não é; tem outro estômago.
Um Mamulengo tronxo, a espreita de suas comoções artesanais, catando miúdos de você. Que, ali, a qualquer momento, pode lhe apontar um dedo Duro à cara e zombar-lhe todo recheio que o pertence.
Sentiu-se estranha à personagem que conduzia. Sentiu-se côncava e vazia feito um saco de supermercado após as compras. Não enxergava aquela face alheia que carregava durante anos, que suportava e nunca entendera seus propósitos. Não fazia idéia de como parara, feito um aborto contrário; um aborto maduro, no regresso reverso de si.
Ficou nua e bambeou marinecências salubres, dissolvendo a carcaça da boneca paraguaia. "

sexta-feira, setembro 15, 2006



"Podia se casar com aquele homem, agora. Existindo, ainda sim, a possibilidade de esvair-se, no futuro, com um marido bêbado, egoísta e enfim, ela, com as tetas caídas, pobre de si. Acreditava na possibilidade de valer-se em algo, partindo uma torta de todo o momento com Davi. Pensava no agora. Definitivamente não se encontrava em estado normal; normal daquilo que costumava ser."

quarta-feira, setembro 13, 2006

She spent most of her time alone.

...ela é mais ou menos isso.

sexta-feira, setembro 08, 2006



"Já era Azul e seu corpo pesava. Seus beijos já eram todos desmaiados.

-Quando dormimos você me abraça?

- Claro. E sorriu escapado pelos dentes. Sorriu pensando em sua lubricidade, e naquela menina de odores robustos e latentes. Naquele colo largo, que tanto desejava afundar seus motivos.De como iria espremê-la entre os braços, pela noite, e explodir feito balão; vazando pelas beiras, escorregando vontades. Ah, pelo sexo não findo. Ah, pelo abraço,...Sim, pelo abraço".
O Devir de Christine

quarta-feira, setembro 06, 2006



"Ele era magro, largo, justo, aparentando se rasgar. Feito cigarra que não troca de casca, feito cobra que se apega à pele; que vai somando, formando um gigantesco chocalho embutido em seu corpo. Tinha os olhos cor de doce de leite e as mãos,espalmadas, de quem suporta grandes coisas com as pontas dos dedos. Era delicado e rude ao mesmo tempo. Era sem jeito e sem esse jeito era por acaso o que era. Era assim: bonito, novo ,trazendo afago feito gente velha. "

Thaís Arnaut

quinta-feira, agosto 31, 2006



"E todos trafegam constantes, no asfalto sonâmbulo desta cidade dormente. Voltar ao lar não quisto, por sentimentos errôneos; tarefa árdua. Balbuciar frases prontas e tornar viril a mentira feita de massinha de modelar. Espiar as íris andantes, cheias de sujeitos e vidas, cada qual com seu copo de arnica, e a coragem perversa ao esperar que o próximo sol nasça. Banalizar cada segundo pródigo. Despir as notas dos sonetos notórios, corrompendo beleza em tudo que há de vazio."
Christine
-O Devir dela-
(Thaís Arnaut)

segunda-feira, agosto 28, 2006

..."Caminho por ser e sou por não ser, componho-me no que sou enquanto me torno.A realidade que construo transfigura-se a cada crepúsculo.Somando vidas altruístas faço meu íntimo.No percurso, concilio-me com outros Querentes do ser.Os vivo. Os absorvo.
Até que minha freqüência se torna distinta, e mais uma vez,Eu, que sou por não ser, busco aquilo que é."
(Christine)

sábado, agosto 26, 2006



"O Fundo não é só o Pensar, que escancara a cara daquela menina.
O fundo também são seus dedos, que enfia no pote de tinta a vontade amarela de colorir os cabelos, por aí. A vontade translúcida de carregar o bloco no colo, de mamar confete e serpentina. De engolir aquela(s) chuva(s), de outros tantos;de tantos Fundos, que lhe disseram Fundos, que lhe fizeram funda, que lhe deixaram assim.
Malgrado a fenda, o que a suspende não é o vácuo que esta põe aí no oxigênio dela, são estes livros coloridos sobre a estante e o criado mudo."

(O Devir dela)
"Thaís Arnaut"

quinta-feira, agosto 24, 2006

"Quando Christine nasceu era lua nova a dezessete dias. Os astrólogos já haviam decretado estado de calamidade , devido à situação marasmenta da lua.O médico, com câimbra, deixou a mulher escorrer entre seus dedos. Christine fraturou o crânio e o cóquis."
(O Devir)

quarta-feira, agosto 23, 2006



"Se eu fosse o fio da meada eu seria o fio da navalha."

(Christine)

segunda-feira, agosto 21, 2006


" Ela fazia tudo aquilo, sempre o fez. Era sempre culpa dela no apaixonar-lhe por si.E fazia e refazia. Era uma maneira narcisista de curar sua solidão, levando sempre alguém ao seu peito. Fazendo-o de isca de todo o sentimento audaz. Até que um dia se da por fim, e, suicidando-se, morre amputada por suas próprias dores, só."
(Christine)

"Estava emassificada de tudo aquilo que era e tudo que carregava. Lembrou dos homens que andam pelas avenidas, maltrapilhos, com suas carroças aos ombros; lotados de entulhos e restolhos. Dejetos de pessoas envernizadas, que arrotam e soltam pum pelas galerias. Deu um salto e firmou os joelhos no colchão fofo. Queria voltar seu corpo em deitar. - Tenho que tomar banho Christine! Vamos menina! Você está grotesca e tem um homem no meio de suas pernas. Tem resto de porra dentro de você!- Gostou de falar Porra; enche-se a boca enodoada no espirro engasgado de zilhões de espermatozóides. Miniaturas esquizofrênicas na infeliz idéia de viver e desfrutar batata frita.- Porra! É tão bom pronunciá-la, não largamos seu visco nem enquanto escovamos dentes. Ai que Porra! Que Porra é esta? A festa estava boa que só a Porra! Ta com a Porra! – Aforante aquilo que carregava dentre as pernas. Resto de um homem, feito um carroceiro de rua, imundo. Resto de Porra. Levantou-se. "
(Christine)

sábado, agosto 19, 2006

"Se me abstiver por dentro, e tapar, paciente, o descontento voraz que me provoca, eu, cá, seria mais feliz.Não conquisto qualquer cômodo pelo bel prazer de deslocar-me sem canto. Se eu negasse a distância aos instrumentos que me faltam, eu me valeria pelo que me sobra. Abro a porta e , esta, fechada, não delimita as surpresas e desafios que, pela ausência, surpreende. Sou Atônita."
(Christine)

sexta-feira, agosto 11, 2006


Se na calada da noite eu me dano