quinta-feira, agosto 31, 2006



"E todos trafegam constantes, no asfalto sonâmbulo desta cidade dormente. Voltar ao lar não quisto, por sentimentos errôneos; tarefa árdua. Balbuciar frases prontas e tornar viril a mentira feita de massinha de modelar. Espiar as íris andantes, cheias de sujeitos e vidas, cada qual com seu copo de arnica, e a coragem perversa ao esperar que o próximo sol nasça. Banalizar cada segundo pródigo. Despir as notas dos sonetos notórios, corrompendo beleza em tudo que há de vazio."
Christine
-O Devir dela-
(Thaís Arnaut)

segunda-feira, agosto 28, 2006

..."Caminho por ser e sou por não ser, componho-me no que sou enquanto me torno.A realidade que construo transfigura-se a cada crepúsculo.Somando vidas altruístas faço meu íntimo.No percurso, concilio-me com outros Querentes do ser.Os vivo. Os absorvo.
Até que minha freqüência se torna distinta, e mais uma vez,Eu, que sou por não ser, busco aquilo que é."
(Christine)

sábado, agosto 26, 2006



"O Fundo não é só o Pensar, que escancara a cara daquela menina.
O fundo também são seus dedos, que enfia no pote de tinta a vontade amarela de colorir os cabelos, por aí. A vontade translúcida de carregar o bloco no colo, de mamar confete e serpentina. De engolir aquela(s) chuva(s), de outros tantos;de tantos Fundos, que lhe disseram Fundos, que lhe fizeram funda, que lhe deixaram assim.
Malgrado a fenda, o que a suspende não é o vácuo que esta põe aí no oxigênio dela, são estes livros coloridos sobre a estante e o criado mudo."

(O Devir dela)
"Thaís Arnaut"

quinta-feira, agosto 24, 2006

"Quando Christine nasceu era lua nova a dezessete dias. Os astrólogos já haviam decretado estado de calamidade , devido à situação marasmenta da lua.O médico, com câimbra, deixou a mulher escorrer entre seus dedos. Christine fraturou o crânio e o cóquis."
(O Devir)

quarta-feira, agosto 23, 2006



"Se eu fosse o fio da meada eu seria o fio da navalha."

(Christine)

segunda-feira, agosto 21, 2006


" Ela fazia tudo aquilo, sempre o fez. Era sempre culpa dela no apaixonar-lhe por si.E fazia e refazia. Era uma maneira narcisista de curar sua solidão, levando sempre alguém ao seu peito. Fazendo-o de isca de todo o sentimento audaz. Até que um dia se da por fim, e, suicidando-se, morre amputada por suas próprias dores, só."
(Christine)

"Estava emassificada de tudo aquilo que era e tudo que carregava. Lembrou dos homens que andam pelas avenidas, maltrapilhos, com suas carroças aos ombros; lotados de entulhos e restolhos. Dejetos de pessoas envernizadas, que arrotam e soltam pum pelas galerias. Deu um salto e firmou os joelhos no colchão fofo. Queria voltar seu corpo em deitar. - Tenho que tomar banho Christine! Vamos menina! Você está grotesca e tem um homem no meio de suas pernas. Tem resto de porra dentro de você!- Gostou de falar Porra; enche-se a boca enodoada no espirro engasgado de zilhões de espermatozóides. Miniaturas esquizofrênicas na infeliz idéia de viver e desfrutar batata frita.- Porra! É tão bom pronunciá-la, não largamos seu visco nem enquanto escovamos dentes. Ai que Porra! Que Porra é esta? A festa estava boa que só a Porra! Ta com a Porra! – Aforante aquilo que carregava dentre as pernas. Resto de um homem, feito um carroceiro de rua, imundo. Resto de Porra. Levantou-se. "
(Christine)

sábado, agosto 19, 2006

"Se me abstiver por dentro, e tapar, paciente, o descontento voraz que me provoca, eu, cá, seria mais feliz.Não conquisto qualquer cômodo pelo bel prazer de deslocar-me sem canto. Se eu negasse a distância aos instrumentos que me faltam, eu me valeria pelo que me sobra. Abro a porta e , esta, fechada, não delimita as surpresas e desafios que, pela ausência, surpreende. Sou Atônita."
(Christine)

sexta-feira, agosto 11, 2006


Se na calada da noite eu me dano