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Hoje, agora anoite, lembrei que meu tio guardava as gaiolas dos curiós todas as atardezinhas. Os pregos ficam na cozinha, perto da pia, do microondas, ali em cima na parede. A gente dormia, o curió parava de cantar. O Curió, digo O, porquê apenas esse era o campeão; o curió ouvia a gravação do outro, cantando, e ele cantava melhor, e ele cantava sempre melhor. Meu tio ficava ali, sempre, esperando o céu descer e dar a hora de. Eu faiscava, em segredo, olhando de beira, meu amor de pai. Era essa hora, mas não em mim e não aqui, na casa dela. Ela não sabe nunca o que se passa no vagaroso surpreender-se de sua casa. A mesmice entediada sempre fazia-lhe questão de tirar-lhe a vontade de comer. O pai sempre no mesmo lugar que lhe convinha, depois de trabalho, com a mesma roupa de dormir, na mesma forma adorna, redonda, singular Ela desligava a cabeça, era engraçado, convinha à ela apagar os pensamentos, de uma forma que nem Mahatma Gandhi entenderia...O pai não chegava a ser a caricatura animal das tardes de domingo, feito qualquer americano imbecil. Ele se fazia de crítico, decorava algumas palavras, apertava o ultimo botão da sua camisa azul e dizia sempre: A culpa é da falta de dinâmica. É onulante quê! Odeodete repetia o final das frases de seu marido sempre. Achava Christine a menina mais inteligente, e todos, que viessem com palavras surpreendentemente seguras e tenazes poderiam ser sábios dignos de resplandecência.








