
"Sabe quando se fixa frente ao espelho, com os olhos bem arregalados naquilo que lhe é posto em frente? Com as pupilas contra-postas, de figura e figura; estática, imóvel, aos olhos latejados, de olhar no um ao outro? Aquela outra face que lhe pinta, mas não é; tem outro estômago.
Um Mamulengo tronxo, a espreita de suas comoções artesanais, catando miúdos de você. Que, ali, a qualquer momento, pode lhe apontar um dedo Duro à cara e zombar-lhe todo recheio que o pertence.
Sentiu-se estranha à personagem que conduzia. Sentiu-se côncava e vazia feito um saco de supermercado após as compras. Não enxergava aquela face alheia que carregava durante anos, que suportava e nunca entendera seus propósitos. Não fazia idéia de como parara, feito um aborto contrário; um aborto maduro, no regresso reverso de si.
Ficou nua e bambeou marinecências salubres, dissolvendo a carcaça da boneca paraguaia. "

3 comentários:
eu sei
eu sei
eu sei sim.
"Preparada disse o espelho; preparada, disseram os sapatos; preparada, disse a capa. Ela ficou de pé, contemplando-se arrumada para nenhum encontro pacífico ou confiante com a vida."
depende da chegada
amo a combinação de suas palavras
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