quarta-feira, setembro 06, 2006



"Ele era magro, largo, justo, aparentando se rasgar. Feito cigarra que não troca de casca, feito cobra que se apega à pele; que vai somando, formando um gigantesco chocalho embutido em seu corpo. Tinha os olhos cor de doce de leite e as mãos,espalmadas, de quem suporta grandes coisas com as pontas dos dedos. Era delicado e rude ao mesmo tempo. Era sem jeito e sem esse jeito era por acaso o que era. Era assim: bonito, novo ,trazendo afago feito gente velha. "

Thaís Arnaut

2 comentários:

Lille . disse...

Quem você descreve?
...
Exceto por algumas palavras, descreve alguém que conheço... e traz uma sensação boa.

Sei lá, Sei não disse...

Minha imagem foi completamente distinta. como que um vendedor de balas, dentro do onibus, ou vendedor de amendoins ou coco torrado.
'Sustentando grandes coisas com a ponta dos dedos.'
Sustentando a própria vida...

Eu esboço agora um pequeno sorriso e penso da maravilha da subjetividade...
Abraço,